No capítulo anterior, nosso querido amigo precisou salvar sua amada de um terrível perigo.
Beldério, o antigo namorado de Pérdula, percebeu que ela estava sempre na companhia de Danilo e concluiu que ele era a verdadeira causa do rompimento do namoro entre eles.
Por causa disso, Beldério reuniu um grupo para atacar o nosso herói. No entanto, eles não faziam a menor ideia da força que Danilo possuía.
Apesar disso, sem desferir um golpe sequer, Danilo os humilhou — mas não conseguiu evitar a bofetada que Beldério desferiu em Pérdula.
De qualquer forma, tudo acabou bem para Danilo e Pérdula. Agora ele poderia viajar tranquilamente para a Europa, mais precisamente para Maranello, na Itália.
Uma Despedida Emocionante
Vale destacar que essa seria uma viagem longa, de aproximadamente 20 horas. O trajeto partia do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, com destino final ao Aeroporto Guglielmo Marconi, em Bolonha, na Itália — com uma escala no Charles de Gaulle, em Paris.
No saguão do aeroporto, a despedida foi discreta. Apenas alguns familiares acompanharam o embarque de Danilo. Essencialmente, seu pai e sua mãe, porém Pérdula e Laly não estavam lá.
O abraço da mãe demorou muito mais do que o normal. Foi aquele tipo de abraço apertado que uma mãe dá quando não sabe exatamente quando vai poder abraçar o filho outra vez.
Seu pai manteve a postura firme — como a âncora da casa. Mas Danilo percebeu, com um aperto no peito, que ele desviou o olhar na hora errada, engolindo a seco, talvez escondendo a lágrima teimosa de quem vê o filho partir.
(Mãe) – Filho, tome cuidado. Não sofra com as coisas desse mundo, trabalhe muito e, principalmente… saiba honrar o nome do seu pai e nunca seja um vagabundo! Que Deus te abençoe, te guarde e se mantenha sempre em Sua companhia.
Danilo a olhou nos olhos, sorriu fraco e, num gesto de profunda reverência, beijou-lhe a mão. Disse amém. Aquele abraço fez com que ela ouvisse o bater acelerado do seu coração. Ele acenou, pegou sua bagagem — que naquele momento não pesava roupas, mas parecia carregada apenas de amor, coragem e fé — e passou pela catraca de embarque.
Não olhou para trás. Sabia que se olhasse, o peso daquela saudade imensa o impediria de ir. E ele precisava ir. Tinha um alvo. A Itália era o passaporte para o seu destino.
Dentro do avião, encontrou seu assento na janela. Ao lado, um empresário já com o notebook aberto, alheio a tudo, concentrado no trabalho. O terceiro assento estava vazio.
Enquanto a aeronave taxiava pela pista, Danilo encostou a testa no vidro frio. Em pouco tempo, os motores rugiram e o avião finalmente decolou, rasgando os céus.
O aeroporto foi ficando pequeno.
A cidade grande, com suas tristezas e alegrias, foi ficando menor.
São Paulo foi, aos poucos, virando apenas um mapa sob as nuvens.
E à medida que o avião ganhava altitude, o menino ia compreendendo o peso de cada palavra da mãe naquela manhã em que partia. As frases ecoavam mais alto em sua mente, fazendo um sentido doloroso, dando-lhe uma vontade absurda de chorar.
Então, as nuvens fecharam a visão, e não havia mais nada para ver lá fora. Apenas o futuro pela frente.
Ele ainda estava para completar 18 anos. No fundo, um garoto prestes a encarar a solidão que ainda não conhecia. Seu contrato exigia no mínimo dois anos, encerrando-se apenas no final da temporada de 2005. Eram dois longos anos longe de casa, longe do pai, longe da mãe, longe de sua amada cachorrinha e também longe da Pérdula.
Por contrato, sua vida agora seria morar sozinho num país estranho. Acordar numa língua que ainda engatinhava para aprender e sobreviver numa cidade que girava fanaticamente em torno de um esporte que não perdoa fraqueza.
A distância, no ano de 2004, era palpável. Era física. Era feita de silêncio.
Não existia celular com ligação internacional barata. Não existiam redes sociais. Se quisesse ouvir a voz da mãe, dependeria de fichas em um orelhão, cartões telefônicos contados ou um computador com internet — luxos nem sempre disponíveis na correria. A saudade que ele ainda não conhecia, teria que ser curada apenas através de telefonemas ou das raras cartas que chegariam.
Ele pensava nas ruas de São Paulo, no cheiro de casa, naquele barulho familiar que a gente só nota quando desaparece por completo. E, nessa enxurrada de pensamentos, vieram à tona os bons momentos que passou com Pérdula e Laly. Porém, junto com a lembrança, veio a dor da dúvida. Ele não conseguia parar de se perguntar por que elas não tinham ido ao aeroporto se despedir.
Nenhum piloto te avisa sobre isso na escola de kart.
Ninguém te prepara para a solidão esmagadora que senta no banco do passageiro junto com o sonho.
Mas ele não iria recuar. Com os olhos marejados, engolindo o nó na garganta e com a cabeça encostada no vidro, mas com o coração focado na pista que o aguardava na Europa… Danilo acabou adormecendo.
💤 Roncando como porco resfriado
Horas depois… ainda durante a viagem, nosso amigo acordou, ficou entediado com o tempo que ainda restava e acabou adormecendo novamente. Enquanto isso, o empresário ao seu lado estava concentrado no notebook, mergulhado em seu importante trabalho.
De repente, um ronco ensurdecedor começou a ecoar pelo avião. Muitos passageiros se assustaram — especialmente o homem da mesma fileira.
Em seguida, sem aviso algum, outro ronco assustador!!
Seria uma turbulência? Um problema nas turbinas? Uma série de explosões? O avião iria cair?
Sem resposta para nenhuma dessas perguntas, o empresário olhou para um lado, olhou para o outro, e ouviu novamente:
(Danilo) – ROOOOOOONNNKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!
Para seu alívio, percebeu que aquele barulho não vinha dos motores nem sinalizava qualquer problema técnico. Era Danilo — roncando igual a um porco resfriado!
O garoto dormia de boca aberta, babando sem cerimônia. O empresário suspirou aliviado e voltou sua atenção para a tela do notebook.
Mas assim que ele se concentrou novamente:
(Danilo) – ROOOOOOONNNKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!
O empresário olhou para Danilo. Silêncio total. Ficou ali olhando, desconfiado. Parecia que o menino havia parado. Voltou para o notebook. E então:
(Danilo) – ROOOOOOONNNKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!
Sem conseguir trabalhar e já perdendo a paciência, o empresário decidiu acordar o dorminhoco:
(Empresário) – Ei, moço… acorda!
Nada e mais uma chacoalhada.
(Empresário) – Moço… acorda, acorda!!
Nada. Depois de inúmeros chacoalhões — cada vez mais vigorosos — parecia que Danilo havia finalmente parado de roncar.
Feliz, o empresário abriu o notebook e preparou-se para retomar o trabalho. Foi exatamente nesse instante que o avião fez uma curva para a esquerda, e a cabeça do garoto deslizou mansamente até pousar no ombro do empresário.
Irritado, o homem empurrou o corpo de Danilo para o lado oposto. A cabeça bateu na parede da aeronave — e voltou direto para o ombro do empresário.
E para piorar: o menino voltou a roncar, agora com a boca encostada no ouvido do homem.
(Danilo) – ROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOONNNNNNNNNNNNNKKKKK!!!! ROOOOOOOOOOOOOOOOOOOONNNNNKKKKK!!
Com toda a delicadeza que ainda lhe restava, o empresário reposicionou a cabeça de Danilo no encosto da poltrona.
Passou uma hora. Danilo não acordou. O ronco não parou.
(Empresário) – Ah, não! Assim não dá! Acorda!! Eu preciso trabalhar!!! Você está roncando demais!!!
A cada tentativa, ele falava mais alto e chacoalhava Danilo com mais força. Nada adiantava.
Como última cartada, o homem deu um berro no ouvido do garoto:
(Empresário) – AAAAAAACCCOOOOOOORRRRRRRDDDDAAAAAAAAA!!!
Todos os passageiros ao redor olharam para ele. Uns mandaram falar mais baixo. Outros gritaram para ele se calar.
E Danilo? Continuou dormindo como se nada tivesse acontecido e roncando pior que um porco resfriado!
O coitado do empresário olhou para um lado, olhou para o outro, rosnou baixinho e começou a chorar.
(Empresário) – Desisto!!
Mal havia guardado o notebook, quando a aeromoça passou pelo corredor e perguntou:
(Aeromoça) – Os senhores desejam comer alguma coisa?
Danilo abriu os olhos imediatamente.
(Empresário) – O quê?!
Hora da Comida!
(Danilo) – Eu quero comer!! Estou morrendo de fome!!
(Aeromoça) – Senhor, aguarde um instante que iremos lhe atender!
(Empresário) – Não, não… não quero nada por enquanto. Muito obrigado.
(Aeromoça) – E o senhor, o que vai querer?
(Danilo) – Tudo! Digo… tudo que estiver disponível pra mim! Hehehe!
O empresário não conseguia trabalhar. Danilo não parava de comer.
Por fim, em alto e bom som, o garoto anunciou:
(Danilo) – Ahh, que beleza! Estou cheio!!
O empresário pensou aliviado: “Finalmente vou poder trabalhar em paz!”
Assim, quando aquele homem preparou seu equipamento para retomar o trabalho, do nada Danilo resolveu cantar — uma mistura indefinível de referências com a música Sonho de Ícaro, do Byafra:
(Danilo) – VOOOOOAAAAAAAAAARRRRRRRR EU VOOOUUUUU DE AVIÃOOO AO DESTINOOOO DE MEUU CORAÇÃOOOOOOO!!!… VOAR, VOAR, SUBIR, SUBIR, E SER FELIZ! CANTE UM SINAL, SONHO DE TROVÃO, ASAS DO PORÃO, E DESCER ATÉ CAIR COMO UM BALÃO NO VERÃO DO POLO SUL E CANTE UMA CANÇÃO SENTIMENTAL….
(Caso queira ouvir a música de verdade clique aqui)
(Empresário) – AHHH, CALE ESSA BOCA!!!
(Danilo) – OXI!
Uma das aeromoças foi até ele e, gentilmente, pediu que ficasse quieto, pois estava incomodando os outros passageiros. Danilo concordou.
Viajando e tropeçando!
Aliviado, o empresário abriu o notebook — mas Danilo resolveu se levantar e, de imediato, bateu a cabeça no compartimento de bagagem acima.
(Danilo) – AUU!!
O empresário até sentiu vontade de rir, mas logo em seguida Danilo tropeçou em seu pé e caiu em cima do notebook.
(Danilo) – AI!
Ele se levantou, pediu desculpas e finalmente conseguiu sair do assento.
Alguns minutos depois voltou — e o empresário aproveitou a breve calmaria para retomar o trabalho. Só que, sem querer, Danilo tropeçou no passageiro do corredor, que tomava um café. A xícara voou e despejou o conteúdo direto no teclado do notebook do pobre empresário.
(Danilo) – Perdão, senhor! Eu estava voltando e tropecei no pé do homem ali e…
(Empresário) – Sim, sim eu sei Foi sem querer querendo não é?
(Danilo) – Isso, isso…
(Empresário) – Está bem.
O empresário perdeu todo o projeto que estava fazendo, fechou o notebook calmamente… e o jogou no corredor do avião.
Danilo estranhou.
(Danilo) – Senhor?
(Empresário) – O “qui” é?
(Danilo) – O senhor está bem?
(Empresário) – Estou ótimo!!
(Danilo) –Seu notebook caiu ali!
Ele olhou para o DAnilo e com sarcasmo respondeu:
(Empresário) – Não me diga!! E você quer saber por que ele caiu?
(Danilo) – OXI! Sim sim por que?…..
(Empresário) – É que eu estava esperando o primeiro idiota me perguntar!!
Danilo não entendeu a indireta e, olhando para o passageiro do outro lado, comentou:
(Danilo) – OXI! Ele estava falando com você!
O passageiro se irritou. Recomeçou a confusão no avião.
A aeromoça interveio mais uma vez e mandou Danilo voltar para o seu lugar. Ele obedeceu — e tropeçou no empresário mais uma vez.
O empresário olhou para um lado. Olhou para o outro. E começou a chorar de novo.
Finalmente na Itália
Depois de toda essa turbulência humana, Danilo finalmente se sossegou e a viagem prosseguiu sem maiores imprevistos — até o desembarque em solo europeu.
A Ferrari havia contratado um assessor particular para ele, com nome de Bonoshaco. Ele era um homem muito profissional, bajulador, fino, erudito. Ele cuidadiria de todo e staff, entrevistas, agendas e etc e ele receberia o Danilo no aeroporto.
Após um cumprimento e um abraço típico dos italianos, Danilo começou a chorar desdenhosamente. Por isso Bonoshaco consoladamente falou:
(Bonoshaco) — Calma, calma pare de chorar, meu rapaz eu sei que é dificil para você, não precisa chorar mais. Vamos focar no futuro que tudo vai dar certo!
(Danilo) —Disso eu sei! (disse ele chorando)
(Bonoshaco) — Então pare de chorar!
(Danilo) — Mas eu não posso, eu não posso! (disse ele chorando)
(Bonoshaco) — Então por que chora tanto?
(Danilo) — É porque você está pisando no meu pé!
(Bonoshaco) — Ah perdão!
Bonoshaco soltou o pé do Danilo, mas é claro que ele ficou bravo e com muita dor e resmungou:
(Danilo) — Seu, seu seu seu!
Agora que Danilo havia chegado à famosa cidade-sede da Ferrari, ele e Michael Schumacher teriam três meses de muito trabalho pela frente antes do início da temporada, prevista para meados de março.
Como serão as primeiras atividades de Danilo junto à Scuderia? Como será a relação de trabalho entre ele e Schumacher? Será que o time dará prioridade absoluta ao alemão, assim como fez durante os anos de Barrichello?
Todas essas respostas chegam a partir do próximo capítulo! Nossa aventura está apenas começando!
Portanto, continue nos acompanhando — e que a velocidade esteja com você!
História original e texto: Danilo Cardoso dos Santos (2002–2026)
Arte e Desenho: Danilo Cardoso
Imagens aprimoradas com Grok, Gemini e MyHub
No capítulo anterior, nosso querido amigo precisou salvar sua amada de um terrível perigo.
Beldério, o antigo namorado de Pérdula, percebeu que ela estava sempre na companhia de Danilo e concluiu que ele era a verdadeira causa do rompimento do namoro entre eles.
Por causa disso, Beldério reuniu um grupo para atacar o nosso herói. No entanto, eles não faziam a menor ideia da força que Danilo possuía.
Apesar disso, sem desferir um golpe sequer, Danilo os humilhou — mas não conseguiu evitar a bofetada que Beldério desferiu em Pérdula.
De qualquer forma, tudo acabou bem para Danilo e Pérdula. Agora ele poderia viajar tranquilamente para a Europa, mais precisamente para Maranello, na Itália.
Uma Despedida Emocionante
Vale destacar que essa seria uma viagem longa, de aproximadamente 20 horas. O trajeto partia do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, com destino final ao Aeroporto Guglielmo Marconi, em Bolonha, na Itália — com uma escala no Charles de Gaulle, em Paris.
No saguão do aeroporto, a despedida foi discreta. Apenas alguns familiares acompanharam o embarque de Danilo. Essencialmente, seu pai e sua mãe, porém Pérdula e Laly não estavam lá.
O abraço da mãe demorou muito mais do que o normal. Foi aquele tipo de abraço apertado que uma mãe dá quando não sabe exatamente quando vai poder abraçar o filho outra vez.
Seu pai manteve a postura firme — como a âncora da casa. Mas Danilo percebeu, com um aperto no peito, que ele desviou o olhar na hora errada, engolindo a seco, talvez escondendo a lágrima teimosa de quem vê o filho partir.
(Mãe) – Filho, tome cuidado. Não sofra com as coisas desse mundo, trabalhe muito e, principalmente… saiba honrar o nome do seu pai e nunca seja um vagabundo! Que Deus te abençoe, te guarde e se mantenha sempre em Sua companhia.
Danilo a olhou nos olhos, sorriu fraco e, num gesto de profunda reverência, beijou-lhe a mão. Disse amém. Aquele abraço fez com que ela ouvisse o bater acelerado do seu coração. Ele acenou, pegou sua bagagem — que naquele momento não pesava roupas, mas parecia carregada apenas de amor, coragem e fé — e passou pela catraca de embarque.
Não olhou para trás. Sabia que se olhasse, o peso daquela saudade imensa o impediria de ir. E ele precisava ir. Tinha um alvo. A Itália era o passaporte para o seu destino.
Dentro do avião, encontrou seu assento na janela. Ao lado, um empresário já com o notebook aberto, alheio a tudo, concentrado no trabalho. O terceiro assento estava vazio.
Enquanto a aeronave taxiava pela pista, Danilo encostou a testa no vidro frio. Em pouco tempo, os motores rugiram e o avião finalmente decolou, rasgando os céus.
O aeroporto foi ficando pequeno.
A cidade grande, com suas tristezas e alegrias, foi ficando menor.
São Paulo foi, aos poucos, virando apenas um mapa sob as nuvens.
E à medida que o avião ganhava altitude, o menino ia compreendendo o peso de cada palavra da mãe naquela manhã em que partia. As frases ecoavam mais alto em sua mente, fazendo um sentido doloroso, dando-lhe uma vontade absurda de chorar.
Então, as nuvens fecharam a visão, e não havia mais nada para ver lá fora. Apenas o futuro pela frente.
Ele ainda estava para completar 18 anos. No fundo, um garoto prestes a encarar a solidão que ainda não conhecia. Seu contrato exigia no mínimo dois anos, encerrando-se apenas no final da temporada de 2005. Eram dois longos anos longe de casa, longe do pai, longe da mãe, longe de sua amada cachorrinha e também longe da Pérdula.
Por contrato, sua vida agora seria morar sozinho num país estranho. Acordar numa língua que ainda engatinhava para aprender e sobreviver numa cidade que girava fanaticamente em torno de um esporte que não perdoa fraqueza.
A distância, no ano de 2004, era palpável. Era física. Era feita de silêncio.
Não existia celular com ligação internacional barata. Não existiam redes sociais. Se quisesse ouvir a voz da mãe, dependeria de fichas em um orelhão, cartões telefônicos contados ou um computador com internet — luxos nem sempre disponíveis na correria. A saudade que ele ainda não conhecia, teria que ser curada apenas através de telefonemas ou das raras cartas que chegariam.
Ele pensava nas ruas de São Paulo, no cheiro de casa, naquele barulho familiar que a gente só nota quando desaparece por completo. E, nessa enxurrada de pensamentos, vieram à tona os bons momentos que passou com Pérdula e Laly. Porém, junto com a lembrança, veio a dor da dúvida. Ele não conseguia parar de se perguntar por que elas não tinham ido ao aeroporto se despedir.
Nenhum piloto te avisa sobre isso na escola de kart.
Ninguém te prepara para a solidão esmagadora que senta no banco do passageiro junto com o sonho.
Mas ele não iria recuar. Com os olhos marejados, engolindo o nó na garganta e com a cabeça encostada no vidro, mas com o coração focado na pista que o aguardava na Europa… Danilo acabou adormecendo.
💤 Roncando como porco resfriado
Horas depois… ainda durante a viagem, nosso amigo acordou, ficou entediado com o tempo que ainda restava e acabou adormecendo novamente. Enquanto isso, o empresário ao seu lado estava concentrado no notebook, mergulhado em seu importante trabalho.
De repente, um ronco ensurdecedor começou a ecoar pelo avião. Muitos passageiros se assustaram — especialmente o homem da mesma fileira.
Em seguida, sem aviso algum, outro ronco assustador!!
Seria uma turbulência? Um problema nas turbinas? Uma série de explosões? O avião iria cair?
Sem resposta para nenhuma dessas perguntas, o empresário olhou para um lado, olhou para o outro, e ouviu novamente:
(Danilo) – ROOOOOOONNNKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!
Para seu alívio, percebeu que aquele barulho não vinha dos motores nem sinalizava qualquer problema técnico. Era Danilo — roncando igual a um porco resfriado!
O garoto dormia de boca aberta, babando sem cerimônia. O empresário suspirou aliviado e voltou sua atenção para a tela do notebook.
Mas assim que ele se concentrou novamente:
(Danilo) – ROOOOOOONNNKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!
O empresário olhou para Danilo. Silêncio total. Ficou ali olhando, desconfiado. Parecia que o menino havia parado. Voltou para o notebook. E então:
(Danilo) – ROOOOOOONNNKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!
Sem conseguir trabalhar e já perdendo a paciência, o empresário decidiu acordar o dorminhoco:
(Empresário) – Ei, moço… acorda!
Nada e mais uma chacoalhada.
(Empresário) – Moço… acorda, acorda!!
Nada. Depois de inúmeros chacoalhões — cada vez mais vigorosos — parecia que Danilo havia finalmente parado de roncar.
Feliz, o empresário abriu o notebook e preparou-se para retomar o trabalho. Foi exatamente nesse instante que o avião fez uma curva para a esquerda, e a cabeça do garoto deslizou mansamente até pousar no ombro do empresário.
Irritado, o homem empurrou o corpo de Danilo para o lado oposto. A cabeça bateu na parede da aeronave — e voltou direto para o ombro do empresário.
E para piorar: o menino voltou a roncar, agora com a boca encostada no ouvido do homem.
(Danilo) – ROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOONNNNNNNNNNNNNKKKKK!!!! ROOOOOOOOOOOOOOOOOOOONNNNNKKKKK!!
Com toda a delicadeza que ainda lhe restava, o empresário reposicionou a cabeça de Danilo no encosto da poltrona.
Passou uma hora. Danilo não acordou. O ronco não parou.
(Empresário) – Ah, não! Assim não dá! Acorda!! Eu preciso trabalhar!!! Você está roncando demais!!!
A cada tentativa, ele falava mais alto e chacoalhava Danilo com mais força. Nada adiantava.
Como última cartada, o homem deu um berro no ouvido do garoto:
(Empresário) – AAAAAAACCCOOOOOOORRRRRRRDDDDAAAAAAAAA!!!
Todos os passageiros ao redor olharam para ele. Uns mandaram falar mais baixo. Outros gritaram para ele se calar.
E Danilo? Continuou dormindo como se nada tivesse acontecido e roncando pior que um porco resfriado!
O coitado do empresário olhou para um lado, olhou para o outro, rosnou baixinho e começou a chorar.
(Empresário) – Desisto!!
Mal havia guardado o notebook, quando a aeromoça passou pelo corredor e perguntou:
(Aeromoça) – Os senhores desejam comer alguma coisa?
Danilo abriu os olhos imediatamente.
(Empresário) – O quê?!
Hora da Comida!
(Danilo) – Eu quero comer!! Estou morrendo de fome!!
(Aeromoça) – Senhor, aguarde um instante que iremos lhe atender!
(Empresário) – Não, não… não quero nada por enquanto. Muito obrigado.
(Aeromoça) – E o senhor, o que vai querer?
(Danilo) – Tudo! Digo… tudo que estiver disponível pra mim! Hehehe!
O empresário não conseguia trabalhar. Danilo não parava de comer.
Por fim, em alto e bom som, o garoto anunciou:
(Danilo) – Ahh, que beleza! Estou cheio!!
O empresário pensou aliviado: “Finalmente vou poder trabalhar em paz!”
Assim, quando aquele homem preparou seu equipamento para retomar o trabalho, do nada Danilo resolveu cantar — uma mistura indefinível de referências com a música Sonho de Ícaro, do Byafra:
(Danilo) – VOOOOOAAAAAAAAAARRRRRRRR EU VOOOUUUUU DE AVIÃOOO AO DESTINOOOO DE MEUU CORAÇÃOOOOOOO!!!… VOAR, VOAR, SUBIR, SUBIR, E SER FELIZ! CANTE UM SINAL, SONHO DE TROVÃO, ASAS DO PORÃO, E DESCER ATÉ CAIR COMO UM BALÃO NO VERÃO DO POLO SUL E CANTE UMA CANÇÃO SENTIMENTAL….
(Caso queira ouvir a música de verdade clique aqui)
(Empresário) – AHHH, CALE ESSA BOCA!!!
(Danilo) – OXI!
Uma das aeromoças foi até ele e, gentilmente, pediu que ficasse quieto, pois estava incomodando os outros passageiros. Danilo concordou.
Viajando e tropeçando!
Aliviado, o empresário abriu o notebook — mas Danilo resolveu se levantar e, de imediato, bateu a cabeça no compartimento de bagagem acima.
(Danilo) – AUU!!
O empresário até sentiu vontade de rir, mas logo em seguida Danilo tropeçou em seu pé e caiu em cima do notebook.
(Danilo) – AI!
Ele se levantou, pediu desculpas e finalmente conseguiu sair do assento.
Alguns minutos depois voltou — e o empresário aproveitou a breve calmaria para retomar o trabalho. Só que, sem querer, Danilo tropeçou no passageiro do corredor, que tomava um café. A xícara voou e despejou o conteúdo direto no teclado do notebook do pobre empresário.
(Danilo) – Perdão, senhor! Eu estava voltando e tropecei no pé do homem ali e…
(Empresário) – Sim, sim eu sei Foi sem querer querendo não é?
(Danilo) – Isso, isso…
(Empresário) – Está bem.
O empresário perdeu todo o projeto que estava fazendo, fechou o notebook calmamente… e o jogou no corredor do avião.
Danilo estranhou.
(Danilo) – Senhor?
(Empresário) – O “qui” é?
(Danilo) – O senhor está bem?
(Empresário) – Estou ótimo!!
(Danilo) –Seu notebook caiu ali!
Ele olhou para o DAnilo e com sarcasmo respondeu:
(Empresário) – Não me diga!! E você quer saber por que ele caiu?
(Danilo) – OXI! Sim sim por que?…..
(Empresário) – É que eu estava esperando o primeiro idiota me perguntar!!
Danilo não entendeu a indireta e, olhando para o passageiro do outro lado, comentou:
(Danilo) – OXI! Ele estava falando com você!
O passageiro se irritou. Recomeçou a confusão no avião.
A aeromoça interveio mais uma vez e mandou Danilo voltar para o seu lugar. Ele obedeceu — e tropeçou no empresário mais uma vez.
O empresário olhou para um lado. Olhou para o outro. E começou a chorar de novo.
Finalmente na Itália
Depois de toda essa turbulência humana, Danilo finalmente se sossegou e a viagem prosseguiu sem maiores imprevistos — até o desembarque em solo europeu.
A Ferrari havia contratado um assessor particular para ele, com nome de Bonoshaco. Ele era um homem muito profissional, bajulador, fino, erudito. Ele cuidadiria de todo e staff, entrevistas, agendas e etc e ele receberia o Danilo no aeroporto.
Após um cumprimento e um abraço típico dos italianos, Danilo começou a chorar desdenhosamente. Por isso Bonoshaco consoladamente falou:
(Bonoshaco) — Calma, calma pare de chorar, meu rapaz eu sei que é dificil para você, não precisa chorar mais. Vamos focar no futuro que tudo vai dar certo!
(Danilo) —Disso eu sei! (disse ele chorando)
(Bonoshaco) — Então pare de chorar!
(Danilo) — Mas eu não posso, eu não posso! (disse ele chorando)
(Bonoshaco) — Então por que chora tanto?
(Danilo) — É porque você está pisando no meu pé!
(Bonoshaco) — Ah perdão!
Bonoshaco soltou o pé do Danilo, mas é claro que ele ficou bravo e com muita dor e resmungou:
(Danilo) — Seu, seu seu seu!
Agora que Danilo havia chegado à famosa cidade-sede da Ferrari, ele e Michael Schumacher teriam três meses de muito trabalho pela frente antes do início da temporada, prevista para meados de março.
Como serão as primeiras atividades de Danilo junto à Scuderia? Como será a relação de trabalho entre ele e Schumacher? Será que o time dará prioridade absoluta ao alemão, assim como fez durante os anos de Barrichello?
Todas essas respostas chegam a partir do próximo capítulo! Nossa aventura está apenas começando!
Portanto, continue nos acompanhando — e que a velocidade esteja com você!
História original e texto: Danilo Cardoso dos Santos (2002–2026)
Arte e Desenho: Danilo Cardoso
Imagens aprimoradas com Grok, Gemini e MyHub
No capítulo anterior, nosso querido amigo precisou salvar sua amada de um terrível perigo.
Beldério, o antigo namorado de Pérdula, percebeu que ela estava sempre na companhia de Danilo e concluiu que ele era a verdadeira causa do rompimento do namoro entre eles.
Por causa disso, Beldério reuniu um grupo para atacar o nosso herói. No entanto, eles não faziam a menor ideia da força que Danilo possuía.
Apesar disso, sem desferir um golpe sequer, Danilo os humilhou — mas não conseguiu evitar a bofetada que Beldério desferiu em Pérdula.
De qualquer forma, tudo acabou bem para Danilo e Pérdula. Agora ele poderia viajar tranquilamente para a Europa, mais precisamente para Maranello, na Itália.
Uma Despedida Emocionante
Vale destacar que essa seria uma viagem longa, de aproximadamente 20 horas. O trajeto partia do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, com destino final ao Aeroporto Guglielmo Marconi, em Bolonha, na Itália — com uma escala no Charles de Gaulle, em Paris.
No saguão do aeroporto, a despedida foi discreta. Apenas alguns familiares acompanharam o embarque de Danilo. Essencialmente, seu pai e sua mãe, porém Pérdula e Laly não estavam lá.
O abraço da mãe demorou muito mais do que o normal. Foi aquele tipo de abraço apertado que uma mãe dá quando não sabe exatamente quando vai poder abraçar o filho outra vez.
Seu pai manteve a postura firme — como a âncora da casa. Mas Danilo percebeu, com um aperto no peito, que ele desviou o olhar na hora errada, engolindo a seco, talvez escondendo a lágrima teimosa de quem vê o filho partir.
(Mãe) – Filho, tome cuidado. Não sofra com as coisas desse mundo, trabalhe muito e, principalmente… saiba honrar o nome do seu pai e nunca seja um vagabundo! Que Deus te abençoe, te guarde e se mantenha sempre em Sua companhia.
Danilo a olhou nos olhos, sorriu fraco e, num gesto de profunda reverência, beijou-lhe a mão. Disse amém. Aquele abraço fez com que ela ouvisse o bater acelerado do seu coração. Ele acenou, pegou sua bagagem — que naquele momento não pesava roupas, mas parecia carregada apenas de amor, coragem e fé — e passou pela catraca de embarque.
Não olhou para trás. Sabia que se olhasse, o peso daquela saudade imensa o impediria de ir. E ele precisava ir. Tinha um alvo. A Itália era o passaporte para o seu destino.
Dentro do avião, encontrou seu assento na janela. Ao lado, um empresário já com o notebook aberto, alheio a tudo, concentrado no trabalho. O terceiro assento estava vazio.
Enquanto a aeronave taxiava pela pista, Danilo encostou a testa no vidro frio. Em pouco tempo, os motores rugiram e o avião finalmente decolou, rasgando os céus.
O aeroporto foi ficando pequeno.
A cidade grande, com suas tristezas e alegrias, foi ficando menor.
São Paulo foi, aos poucos, virando apenas um mapa sob as nuvens.
E à medida que o avião ganhava altitude, o menino ia compreendendo o peso de cada palavra da mãe naquela manhã em que partia. As frases ecoavam mais alto em sua mente, fazendo um sentido doloroso, dando-lhe uma vontade absurda de chorar.
Então, as nuvens fecharam a visão, e não havia mais nada para ver lá fora. Apenas o futuro pela frente.
Ele ainda estava para completar 18 anos. No fundo, um garoto prestes a encarar a solidão que ainda não conhecia. Seu contrato exigia no mínimo dois anos, encerrando-se apenas no final da temporada de 2005. Eram dois longos anos longe de casa, longe do pai, longe da mãe, longe de sua amada cachorrinha e também longe da Pérdula.
Por contrato, sua vida agora seria morar sozinho num país estranho. Acordar numa língua que ainda engatinhava para aprender e sobreviver numa cidade que girava fanaticamente em torno de um esporte que não perdoa fraqueza.
A distância, no ano de 2004, era palpável. Era física. Era feita de silêncio.
Não existia celular com ligação internacional barata. Não existiam redes sociais. Se quisesse ouvir a voz da mãe, dependeria de fichas em um orelhão, cartões telefônicos contados ou um computador com internet — luxos nem sempre disponíveis na correria. A saudade que ele ainda não conhecia, teria que ser curada apenas através de telefonemas ou das raras cartas que chegariam.
Ele pensava nas ruas de São Paulo, no cheiro de casa, naquele barulho familiar que a gente só nota quando desaparece por completo. E, nessa enxurrada de pensamentos, vieram à tona os bons momentos que passou com Pérdula e Laly. Porém, junto com a lembrança, veio a dor da dúvida. Ele não conseguia parar de se perguntar por que elas não tinham ido ao aeroporto se despedir.
Nenhum piloto te avisa sobre isso na escola de kart.
Ninguém te prepara para a solidão esmagadora que senta no banco do passageiro junto com o sonho.
Mas ele não iria recuar. Com os olhos marejados, engolindo o nó na garganta e com a cabeça encostada no vidro, mas com o coração focado na pista que o aguardava na Europa… Danilo acabou adormecendo.
💤 Roncando como porco resfriado
Horas depois… ainda durante a viagem, nosso amigo acordou, ficou entediado com o tempo que ainda restava e acabou adormecendo novamente. Enquanto isso, o empresário ao seu lado estava concentrado no notebook, mergulhado em seu importante trabalho.
De repente, um ronco ensurdecedor começou a ecoar pelo avião. Muitos passageiros se assustaram — especialmente o homem da mesma fileira.
Em seguida, sem aviso algum, outro ronco assustador!!
Seria uma turbulência? Um problema nas turbinas? Uma série de explosões? O avião iria cair?
Sem resposta para nenhuma dessas perguntas, o empresário olhou para um lado, olhou para o outro, e ouviu novamente:
(Danilo) – ROOOOOOONNNKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!
Para seu alívio, percebeu que aquele barulho não vinha dos motores nem sinalizava qualquer problema técnico. Era Danilo — roncando igual a um porco resfriado!
O garoto dormia de boca aberta, babando sem cerimônia. O empresário suspirou aliviado e voltou sua atenção para a tela do notebook.
Mas assim que ele se concentrou novamente:
(Danilo) – ROOOOOOONNNKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!
O empresário olhou para Danilo. Silêncio total. Ficou ali olhando, desconfiado. Parecia que o menino havia parado. Voltou para o notebook. E então:
(Danilo) – ROOOOOOONNNKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!
Sem conseguir trabalhar e já perdendo a paciência, o empresário decidiu acordar o dorminhoco:
(Empresário) – Ei, moço… acorda!
Nada e mais uma chacoalhada.
(Empresário) – Moço… acorda, acorda!!
Nada. Depois de inúmeros chacoalhões — cada vez mais vigorosos — parecia que Danilo havia finalmente parado de roncar.
Feliz, o empresário abriu o notebook e preparou-se para retomar o trabalho. Foi exatamente nesse instante que o avião fez uma curva para a esquerda, e a cabeça do garoto deslizou mansamente até pousar no ombro do empresário.
Irritado, o homem empurrou o corpo de Danilo para o lado oposto. A cabeça bateu na parede da aeronave — e voltou direto para o ombro do empresário.
E para piorar: o menino voltou a roncar, agora com a boca encostada no ouvido do homem.
(Danilo) – ROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOONNNNNNNNNNNNNKKKKK!!!! ROOOOOOOOOOOOOOOOOOOONNNNNKKKKK!!
Com toda a delicadeza que ainda lhe restava, o empresário reposicionou a cabeça de Danilo no encosto da poltrona.
Passou uma hora. Danilo não acordou. O ronco não parou.
(Empresário) – Ah, não! Assim não dá! Acorda!! Eu preciso trabalhar!!! Você está roncando demais!!!
A cada tentativa, ele falava mais alto e chacoalhava Danilo com mais força. Nada adiantava.
Como última cartada, o homem deu um berro no ouvido do garoto:
(Empresário) – AAAAAAACCCOOOOOOORRRRRRRDDDDAAAAAAAAA!!!
Todos os passageiros ao redor olharam para ele. Uns mandaram falar mais baixo. Outros gritaram para ele se calar.
E Danilo? Continuou dormindo como se nada tivesse acontecido e roncando pior que um porco resfriado!
O coitado do empresário olhou para um lado, olhou para o outro, rosnou baixinho e começou a chorar.
(Empresário) – Desisto!!
Mal havia guardado o notebook, quando a aeromoça passou pelo corredor e perguntou:
(Aeromoça) – Os senhores desejam comer alguma coisa?
Danilo abriu os olhos imediatamente.
(Empresário) – O quê?!
Hora da Comida!
(Danilo) – Eu quero comer!! Estou morrendo de fome!!
(Aeromoça) – Senhor, aguarde um instante que iremos lhe atender!
(Empresário) – Não, não… não quero nada por enquanto. Muito obrigado.
(Aeromoça) – E o senhor, o que vai querer?
(Danilo) – Tudo! Digo… tudo que estiver disponível pra mim! Hehehe!
O empresário não conseguia trabalhar. Danilo não parava de comer.
Por fim, em alto e bom som, o garoto anunciou:
(Danilo) – Ahh, que beleza! Estou cheio!!
O empresário pensou aliviado: “Finalmente vou poder trabalhar em paz!”
Assim, quando aquele homem preparou seu equipamento para retomar o trabalho, do nada Danilo resolveu cantar — uma mistura indefinível de referências com a música Sonho de Ícaro, do Byafra:
(Danilo) – VOOOOOAAAAAAAAAARRRRRRRR EU VOOOUUUUU DE AVIÃOOO AO DESTINOOOO DE MEUU CORAÇÃOOOOOOO!!!… VOAR, VOAR, SUBIR, SUBIR, E SER FELIZ! CANTE UM SINAL, SONHO DE TROVÃO, ASAS DO PORÃO, E DESCER ATÉ CAIR COMO UM BALÃO NO VERÃO DO POLO SUL E CANTE UMA CANÇÃO SENTIMENTAL….
(Caso queira ouvir a música de verdade clique aqui)
(Empresário) – AHHH, CALE ESSA BOCA!!!
(Danilo) – OXI!
Uma das aeromoças foi até ele e, gentilmente, pediu que ficasse quieto, pois estava incomodando os outros passageiros. Danilo concordou.
Viajando e tropeçando!
Aliviado, o empresário abriu o notebook — mas Danilo resolveu se levantar e, de imediato, bateu a cabeça no compartimento de bagagem acima.
(Danilo) – AUU!!
O empresário até sentiu vontade de rir, mas logo em seguida Danilo tropeçou em seu pé e caiu em cima do notebook.
(Danilo) – AI!
Ele se levantou, pediu desculpas e finalmente conseguiu sair do assento.
Alguns minutos depois voltou — e o empresário aproveitou a breve calmaria para retomar o trabalho. Só que, sem querer, Danilo tropeçou no passageiro do corredor, que tomava um café. A xícara voou e despejou o conteúdo direto no teclado do notebook do pobre empresário.
(Danilo) – Perdão, senhor! Eu estava voltando e tropecei no pé do homem ali e…
(Empresário) – Sim, sim eu sei Foi sem querer querendo não é?
(Danilo) – Isso, isso…
(Empresário) – Está bem.
O empresário perdeu todo o projeto que estava fazendo, fechou o notebook calmamente… e o jogou no corredor do avião.
Danilo estranhou.
(Danilo) – Senhor?
(Empresário) – O “qui” é?
(Danilo) – O senhor está bem?
(Empresário) – Estou ótimo!!
(Danilo) –Seu notebook caiu ali!
Ele olhou para o DAnilo e com sarcasmo respondeu:
(Empresário) – Não me diga!! E você quer saber por que ele caiu?
(Danilo) – OXI! Sim sim por que?…..
(Empresário) – É que eu estava esperando o primeiro idiota me perguntar!!
Danilo não entendeu a indireta e, olhando para o passageiro do outro lado, comentou:
(Danilo) – OXI! Ele estava falando com você!
O passageiro se irritou. Recomeçou a confusão no avião.
A aeromoça interveio mais uma vez e mandou Danilo voltar para o seu lugar. Ele obedeceu — e tropeçou no empresário mais uma vez.
O empresário olhou para um lado. Olhou para o outro. E começou a chorar de novo.
Finalmente na Itália
Depois de toda essa turbulência humana, Danilo finalmente se sossegou e a viagem prosseguiu sem maiores imprevistos — até o desembarque em solo europeu.
A Ferrari havia contratado um assessor particular para ele, com nome de Bonoshaco. Ele era um homem muito profissional, bajulador, fino, erudito. Ele cuidadiria de todo e staff, entrevistas, agendas e etc e ele receberia o Danilo no aeroporto.
Após um cumprimento e um abraço típico dos italianos, Danilo começou a chorar desdenhosamente. Por isso Bonoshaco consoladamente falou:
(Bonoshaco) — Calma, calma pare de chorar, meu rapaz eu sei que é dificil para você, não precisa chorar mais. Vamos focar no futuro que tudo vai dar certo!
(Danilo) —Disso eu sei! (disse ele chorando)
(Bonoshaco) — Então pare de chorar!
(Danilo) — Mas eu não posso, eu não posso! (disse ele chorando)
(Bonoshaco) — Então por que chora tanto?
(Danilo) — É porque você está pisando no meu pé!
(Bonoshaco) — Ah perdão!
Bonoshaco soltou o pé do Danilo, mas é claro que ele ficou bravo e com muita dor e resmungou:
(Danilo) — Seu, seu seu seu!
Agora que Danilo havia chegado à famosa cidade-sede da Ferrari, ele e Michael Schumacher teriam três meses de muito trabalho pela frente antes do início da temporada, prevista para meados de março.
Como serão as primeiras atividades de Danilo junto à Scuderia? Como será a relação de trabalho entre ele e Schumacher? Será que o time dará prioridade absoluta ao alemão, assim como fez durante os anos de Barrichello?
Todas essas respostas chegam a partir do próximo capítulo! Nossa aventura está apenas começando!
Portanto, continue nos acompanhando — e que a velocidade esteja com você!
História original e texto: Danilo Cardoso dos Santos (2002–2026)
Arte e Desenho: Danilo Cardoso
Imagens aprimoradas com Grok, Gemini e MyHub