No capítulo anterior, nosso querido amigo precisou salvar sua amada de um terrível perigo.
Beldério, o antigo namorado de Pérdula, percebeu que ela estava sempre na companhia de Danilo e concluiu que ele era a verdadeira causa do rompimento do namoro entre eles.
Por causa disso, Beldério reuniu um grupo para atacar o nosso herói. No entanto, eles não faziam a menor ideia da força que Danilo possuía.
Apesar disso, sem desferir um golpe sequer, Danilo os humilhou — mas não conseguiu evitar a bofetada que Beldério desferiu em Pérdula.
De qualquer forma, tudo acabou bem para Danilo e Pérdula. Agora ele poderia viajar tranquilamente para a Europa, mais precisamente para Maranello, na Itália.
Uma Despedida Emocionante
Vale destacar que essa seria uma longa viagem de aproximadamente 20 horas: partindo do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, com destino ao Aeroporto Internacional Guglielmo Marconi, em Bolonha, na Itália — com escala no Aeroporto de Paris-Charles de Gaulle, na França.
No aeroporto, apenas alguns familiares acompanharam o embarque de Danilo, entre eles seu pai e sua mãe, porém a Pérdula e a Laly, sua irmã, estavam lá.
O abraço da mãe demorou mais do que o normal. O tipo de abraço que uma mãe dá quando não sabe quando vai abraçar de novo.
Seu pai ficou firme — como sempre ficava. Mas Danilo percebeu que ele desviou o olhar na hora errada.
(Mãe) – Filho, tome cuidado. Não sofra com as coisas desse mundo, trabalhe muito e, principalmente… saiba honrar o nome do seu pai e nunca seja um vagabundo! Que Deus te abençoe, te guarde e mantenha sempre Sua companhia sobre você!
Danilo sorriu. Acenou. Passou pela catraca de embarque.
E não olhou para trás — porque sabia que se olhasse, não ia conseguir ir.
Dentro do avião, ele encontrou seu assento na janela. Ao lado, um empresário já com o notebook aberto, concentrado em seu trabalho. O terceiro assento estava vazio.
Enquanto o avião taxiava pela pista, Danilo encostou a testa no vidro frio da janela e ficou olhando.
O aeroporto foi ficando pequeno.
A cidade foi ficando menor.
São Paulo foi virando um mapa.
Assim como o avião ficava mais alto nos céus, as palavras de sua mãe ecoavam mais alto em sua mente — dando-lhe até vontade de chorar…
E então as nuvens fecharam tudo — e não havia mais nada para ver.
Ele tinha 17 anos. Quase 18. Ia morar sozinho num país onde não conhecia ninguém, numa língua que ainda estava aprendendo, numa cidade que girava em torno de um esporte que não perdoa fraqueza.
Não tinha celular que fizesse ligação internacional barata. Não tinha redes sociais. Se quisesse falar com a mãe, dependia de orelhão, de cartão telefônico ou de computador com internet — e nem sempre isso estaria disponível.
A distância em 2004 era de verdade. Era física. Era silêncio.
Ele pensou em Pérdula. Pensou em Laly. Pensou nas ruas de Curitiba, no cheiro de casa, no barulho familiar que a gente só percebe quando some.
Nenhum piloto te avisa sobre isso na escola de kart.
Ninguém te prepara para a solidão que vem junto com o sonho.
Com os olhos marejados e a cabeça ainda encostada no vidro, Danilo acabou adormecendo…
💤 Roncando como porco resfriado
Horas depois… ainda durante a viagem, nosso amigo acordou, ficou entediado com o tempo que ainda restava e acabou adormecendo novamente. Enquanto isso, o empresário ao seu lado estava concentrado no notebook, mergulhado em seu importante trabalho.
De repente, um ronco ensurdecedor começou a ecoar pelo avião. Muitos passageiros se assustaram — especialmente o homem da mesma fileira.
Em seguida, sem aviso algum, outro ronco assustador!!
Seria uma turbulência? Um problema nas turbinas? Uma série de explosões? O avião iria cair?
Sem resposta para nenhuma dessas perguntas, o empresário olhou para um lado, olhou para o outro, e ouviu novamente:
(Danilo) – ROOOOOOONNNKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!
Para seu alívio, percebeu que aquele barulho não vinha dos motores nem sinalizava qualquer problema técnico. Era Danilo — roncando igual a um porco resfriado!
O garoto dormia de boca aberta, babando sem cerimônia. O empresário suspirou aliviado e voltou sua atenção para a tela do notebook.
Mas assim que ele se concentrou novamente:
(Danilo) – ROOOOOOONNNKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!
O empresário olhou para Danilo. Silêncio total. Ficou ali olhando, desconfiado. Parecia que o menino havia parado. Voltou para o notebook. E então:
(Danilo) – ROOOOOOONNNKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!
Sem conseguir trabalhar e já perdendo a paciência, o empresário decidiu acordar o dorminhoco:
(Empresário) – Ei, moço… acorda!
Nada.
Mais uma chacoalhada.
(Empresário) – Moço… acorda, acorda!!
Nada. Depois de inúmeros chacoalhões — cada vez mais vigorosos — parecia que Danilo havia finalmente parado de roncar.
Feliz, o empresário abriu o notebook e preparou-se para retomar o trabalho. Foi exatamente nesse instante que o avião fez uma curva para a esquerda, e a cabeça do garoto deslizou mansamente até pousar no ombro do empresário.
Irritado, o homem empurrou o corpo de Danilo para o lado oposto. A cabeça bateu na parede da aeronave — e voltou direto para o ombro do empresário.
E para piorar: o menino voltou a roncar, agora com a boca encostada no ouvido do homem.
(Danilo) – ROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOONNNNNNNNNNNNNKKKKK!!!! ROOOOOOOOOOOOOOOOOOOONNNNNKKKKK!!
Com toda a delicadeza que ainda lhe restava, o empresário reposicionou a cabeça de Danilo no encosto da poltrona.
Passou uma hora. Danilo não acordou. O ronco não parou.
(Empresário) – Ah, não! Assim não dá! Acorda!! Eu preciso trabalhar!!! Você está roncando demais!!!
A cada tentativa, ele falava mais alto e chacoalhava Danilo com mais força. Nada adiantava.
Como última cartada, o homem deu um berro no ouvido do garoto:
(Empresário) – AAAAAAACCCOOOOOOORRRRRRRDDDDAAAAAAAAA!!!
Todos os passageiros ao redor olharam para ele. Uns mandaram falar mais baixo. Outros gritaram para ele se calar.
E Danilo? Continuou dormindo como se nada tivesse acontecido.
O coitado do empresário olhou para um lado, olhou para o outro, rosnou baixinho e começou a chorar.
(Empresário) – Desisto!!
Mal havia guardado o notebook, quando a aeromoça passou pelo corredor e perguntou:
(Aeromoça) – Os senhores desejam comer alguma coisa?
Danilo abriu os olhos imediatamente.
(Empresário) – O quê?!
(Danilo) – Eu quero comer!! Estou morrendo de fome!!
(Aeromoça) – Senhor, aguarde um instante que iremos lhe atender!
(Empresário) – Não, não… não quero nada por enquanto. Muito obrigado.
(Aeromoça) – E o senhor, o que vai querer?
(Danilo) – Tudo! Digo… tudo que estiver disponível pra mim! Hehehe!
O empresário não conseguia trabalhar. Danilo não parava de comer.
Por fim, em alto e bom som, o garoto anunciou:
(Danilo) – Ahh, que beleza! Estou cheio!!
O empresário pensou aliviado: “Finalmente vou poder trabalhar em paz!”
Assim, quando aquele homem preparou seu equipamento para retomar o trabalho, do nada Danilo resolveu cantar — uma mistura indefinível de referências com a música Sonho de Ícaro, do Byafra:
(Danilo) – VOOOOOAAAAAAAAAARRRRRRRR EU VOOOUUUUU DE AVIÃOOO AO DESTINOOOO DE MEUU CORAÇÃOOOOOOO!!!… VOAR, VOAR, SUBIR, SUBIR, E SER FELIZ! CANTE UM SINAL, SONHO DE TROVÃO, ASAS DO PORÃO, E DESCER ATÉ CAIR COMO UM BALÃO NO VERÃO DO POLO SUL E CANTE UMA CANÇÃO SENTIMENTAL….
(Nota do autor: A música que Danilo está tentando cantar é “Sonho de Ícaro”, do Byafra. Como você deve ter percebido, ele misturou tudo e cantou completamente errado.)
(Empresário) – AHHH, CALE ESSA BOCA!!!
(Danilo) – OXI!
Uma das aeromoças foi até ele e, gentilmente, pediu que ficasse quieto, pois estava incomodando os outros passageiros. Danilo concordou.
Aliviado, o empresário abriu o notebook — mas Danilo resolveu se levantar e, de imediato, bateu a cabeça no compartimento de bagagem acima.
(Danilo) – AUU!!
O empresário até sentiu vontade de rir, mas logo em seguida Danilo tropeçou em seu pé e caiu em cima do notebook.
(Danilo) – AI!
Ele se levantou, pediu desculpas e finalmente conseguiu sair do assento.
Alguns minutos depois voltou — e o empresário aproveitou a breve calmaria para retomar o trabalho. Só que, sem querer, Danilo tropeçou no passageiro do corredor, que tomava um café. A xícara voou e despejou o conteúdo direto no teclado do notebook do pobre empresário.
(Danilo) – Perdão, senhor! Eu estava voltando e tropecei no pé do homem ali e…
(Empresário) – Sim, sim. Foi sem querer.
(Danilo) – Isso, isso…
(Empresário) – Está bem.
O empresário fechou o notebook calmamente… e o jogou no corredor do avião.
Danilo estranhou.
(Danilo) – Senhor?
(Empresário) – O que “qui” é?
(Danilo) – Seu notebook caiu ali!
(Empresário) – Não me diga!! Você quer saber por que ele caiu?
(Danilo) – OXI! Sim sim…..
(Empresário) – É que eu estava esperando o primeiro idiota me perguntar!!
Danilo não entendeu a indireta e, olhando para o passageiro do outro lado, comentou:
(Danilo) – OXI! Ele estava falando com você!
O passageiro se irritou. Recomeçou a confusão no avião.
A aeromoça interveio mais uma vez e mandou Danilo voltar para o seu lugar. Ele obedeceu — e tropeçou no empresário mais uma vez.
O empresário olhou para um lado. Olhou para o outro. E começou a chorar de novo.
A Chegada na Itália
Depois de toda essa turbulência humana, Danilo finalmente se sossegou e a viagem prosseguiu sem maiores imprevistos — até o desembarque em solo europeu.
Agora que Danilo havia chegado à famosa cidade-sede da Ferrari, ele e Michael Schumacher teriam três meses de muito trabalho pela frente antes do início da temporada, prevista para meados de março.
Como serão as primeiras atividades de Danilo junto à Scuderia? Como será a relação de trabalho entre ele e Schumacher? Será que o time dará prioridade absoluta ao alemão, assim como fez durante os anos de Barrichello?
Todas essas respostas chegam a partir do próximo capítulo!
Portanto, continue nos acompanhando — e que a velocidade esteja com você!
História original e texto: Danilo Cardoso dos Santos (2002–2026)
Arte e Desenho: Danilo Cardoso
Imagens aprimoradas com, Gemini e MyHub